sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

KANTUTA


 (Matéria desenvolvida para o jornal eletrônico Momento Online, desenvolvido pelos alunos de jornaçismo Fiam/Faam)

Um pedaço da Bolívia em São Paulo

 Imaginem, uma barraca atrás da outra, malhas de lã de lhama, potes de barro, pessoas de olhos levemente puxados, pele morena, cabelos escuros e que se comunicam em espanhol. Isso tudo e muito mais pode ser encontrado a poucos metros do metrô Armênia, no bairro do Pari. A impressão de andar por lá é a mesma de caminhar pelas ruas movimentadas de Cochabamba ou pelas feiras da capital La Paz. Em São Paulo, a Bolívia fica na praça Kantuta, e se repete todo domingo, das 11 às 19h.

É preciso deixar que a curiosidade do viajante supere o preconceito. Isso pode ser comprovado quando se passa pela experiência gastronômica de experimentar por exemplo o anticucho (coração de boi no espeto) acompanhado de batatas e molho de amendoin. Bem menos exóticas são as salteñas (uma espécie de empanada, parecida com as argentinas e chilenas, mas com molho líquido). Elas são assadas a todo instante e a procura é grande. O cheiro de caldeirão fumegante no ar pode ser de sopa que é a entrada obrigatória de qualquer prato boliviano. Também é tradição experimentar o api (suco de milho roxo quente). Ele é muito consumido no "café da tarde" nas montanhas andinas, onde se vive sob temperaturas baixas. É tão gostoso que vai bem até em dias de calor. O acompanhamento ideal do api é o buñuelo, uma massa caseira frita (como a do pastel brasileiro, mas sem recheio).
 


Há muitas variações da típica flauta de pã boliviana, tocada por grupos folclóricos. Vários deles (alguns até com 300 bailarinos acompanhando) se apresentam na Kantuta nas datas importantes da Bolívia, como a "Festa das Alacitas", em 24 de janeiro, e o Carnaval (na mesma época em que o brasileiro). Algumas datas daqui são motivo de comemoração também, como o dia das mães e o das crianças, por exemplo.

Não dá pra ir embora sem dar uma passada nas barracas que mais aglomeram visitantes: as que exibem programas de tv bolivianos e também vendem CDs, DVDs e publicações. Inusitado também é o serviço de cabeleireiro (pelucaria) prestado em uma tenda pequena e sempre cheia. Ninguém parece se incomodar em ter seu cabelo cortado no meio da rua. Fazem até filas para isso. 
 


Cerca de 90% das pessoas que freqüentam a feira são bolivianas ou descendentes. Segundo estimativa da Pastoral do Migrante Latino-Americano, 200 mil bolivianos vivem na capital paulista e é na Kantuta que buscam sua identidade. Além disso deve-se ressaltar que além de um resgate á cultura ela serve também de espaço para desenvolver iniciativas sociais, como a Associação Brasil–Bolívia, que defende o interesse dos artesãos, artistas, migrantes e recém-chegados a encontrar trabalho e informação.

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