segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Segunda-feira??? Bleeeéh...



Domingo à noite, é só ouvir a música “daquele” programa de televisão e bate uma deprê. Pois lembramos de algo desagradável. O dia seguinte!
Do espanhol Lunes, do alemão Montag, do inglês Monday, do francês Lundi, mas isso não importa, pois continuamos  conhecendo como Segunda-feira.

Sim meus queridos, o dia que muitos encaram como “O dia dos infernos”, onde tudo que podia acontecer de errado e ruim estariam programados para ele.
Gente, estou brincando mas é sério, esse dia não me afeta, mas conheço muita gente que sofre com isso. O problema é tão sério que foi classificado como uma síndrome. 

Mas por que isso acontece, da onde surge isso? Bom, dizem alguns psicólogos que o motivo está justamente na quebra de rotina que acontece no fim de semana, onde os horários não são tão rígidos, muito menos as obrigações e afazeres do dia a dia. O corpo desacelera, relaxa muito e não tem tempo suficiente para se readaptar novamente do Domingo para a Segunda.
Outros dizem que isso costuma a acontecer com pessoas que não estão felizes com alguma área de sua vida, talvez o trabalho não esteja satisfatório, chefe, colegas, funções, enfim... isso também torna-se o motivo da angústia dominical.

De qualquer forma seja lá qual for seu motivo para odiar a segunda, lembre-se de que ela nunca deixará de existir e o melhor que temos a fazer é procurar métodos que façam com que ela seja mais suportável. A questão é bem simples, quanto mais alimentamos e valorizamos a raiva por algo, mais o fardo torna-se pesado e insuportável. Respondam mentalmente esta pergunta... Essa atitude é inteligente? 

Bom, para os que perderam alguns segundos pensando e chegaram a conclusão de que a resposta é NÃO, aí vai algumas dicas pesquisadas por mim.

Se acontece com você: no domingo à noite, se sente deprimido e demora a pegar no sono e, na segunda, se lembra logo cedo de um compromisso chato.
Tente: não marcar tarefas desagradáveis para a segunda-feira. Se não tiver jeito, escolha o período da tarde.

Se acontece com você: se sente cansado no início da semana, mesmo que tenha passado o sábado e o domingo relaxando...
Tente: fazer alguma atividade física de segunda a sexta para quebrar o ritmo pesado do trabalho.

Se acontece com você: de tão exausto, não consegue pensar em dar uma esticadinha com os amigos depois do trabalho na sexta-feira nem imagina a hipótese de um cineminha no sábado...
Tente: adiantar o trabalho nos dias anteriores para sair mais cedo na sexta, se for possível. Assim, o fim de semana torna-se mais longo.

Se acontece com você: sente vontade de se encontrar com os amigos.
Tente: marcar a happy hour para a segunda. A semana já começa com promessa de lazer. Também é muito importante não transformar o fim de semana numa extensão dos dias de trabalho. Nesses casos, o domingo à noite torna-se frustrante em dobro.

Tem muito mais coisas, essas foram ligeiras dicas para terem motivação para adaptarem cada um a sua realidade e modificarem da forma que acharem melhor para suas vidas.

O importante é... Pare de culpar a coitada  da Segunda, ela existe desde sempre é somente mais um dia da semana e a sua vida quem programa é você.
Temos todo o direito e dever de fazermos o que for necessário para que a vida torne-se a melhor possível dentro de nossas possibilidades. 

Amarguras e infelicidades todos temos a todo momento, vamos suavizar sempre que possível.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mídias Sociais X Busca Tradicional



(Publicada em: 09/11/2009 no jornal eletrônico Momento Online, desenvolvido pelos alunos de Jornalismo Fiam/Faam)

As novas alternativas para pesquisas

Há cerca de 15 anos, os trabalhos escolares eram facilmente solucionados com a ajuda de duas ou três Barsas, daquelas bem grandes e pesadas. Já na última década, o Google surgiu para responder todas as dúvidas e satisfazer necessidades e curiosidades.
Porém, essas ferramentas de busca tradicionais correm o risco de serem ultrapassadas. Isso porque as Mídias Sociais estão proporcionando um novo tipo de busca. Além de mudarem a forma como as pessoas se comunicam também estão inovando o modo com que se descobre conteúdo e a navegação na Web.
Essas conclusões vieram de uma pesquisa da Nielsen Online, que mostrou que cerca de 18% dos usuários utilizam as mídias sociais como ferramenta principal de navegação e descoberta de informações. Ferramentas de busca e portais estão perdendo espaço, mas ainda lideram a pesquisa como fontes primárias de informação.
A pesquisa teve foco em três segmentos, buscas, portais e mídias sociais como fontes primárias para pesquisa de conteúdo.
Além disso foi constatado que a vantagem da utilização de mídias sociais como fonte de pesquisa seria a possibilidade de o usuário poder definir o que para ele é mais relevante, além da oportunidade de interagir com outros internautas, obtendo respostas e debate sobrendo sobre o tema pesquisado com outros usuários.

Mídias/Redes Sociais?



 (Publicada em: 14/12/2009 no jornal eletrônico Momento Online, desenvolvido pelos alunos de Jornalismo Fiam/Faam)

  O que será que isso significa?

Pesquisa realizada pelo Mashable, um guia social de mídia comprovou que 58% das pessoas não conhecem o significado da expressão “rede social”. Se você está na lista de pessoas que ainda se perguntam: "que diabos são as tais redes e mídias sociais?" preste atenção porque pode existir luz no fim do túnel.
"Rede social" ou "midias sociais" se referem à essa nova forma de comunicação com várias características próprias que as diferem das chamadas mídias tradicionais, como os jornais, televisão, livros ou rádio. Antes de tudo as mídias sociais dependem da interação entre pessoas, na medida em que a discussão e a integração entre elas é que constroem conteúdo compartilhado, usando a tecnologia como condutor.
Iniciaremos pelas definições de Mídias Sociais. São tecnologias que precedem a Internet e as ferramentas tecnológicas - ainda que o termo não fosse utilizado no passado. Nada mais é do que a produção de conteúdos sem o controle editorial de grandes grupos, ou seja, produção de muitos para muitos. Define Mariana Doria profissional de comunicação digital.
Agora Redes Sociais. Você já ouviu falar? Não? Nem imagina o que seja? Bom, a Internet está se tornando um modo de vida. Milhares de usuários da internet são membros de uma ou mais redes sociais sem saber que possuem esse nome.
Segundo o nerdmaníaco de carteirinha e profissional da área de tecnologia da comunicação Wagner Bastos, redes sociais são as famosas ferramentas que permitem a interação social a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação nas mais diversas formas , como textos, imagens, áudio, e vídeo. Bons exemplos disso são os blogs, videologs, compartilhamento de músicas, mensageiros, podcasts, wikis, videologs, ou mashups (aplicações que combinam conteúdo de múltiplas fontes para criar uma nova aplicação), permitindo que seus usuários possam interagir instantaneamente entre si e com o restante do mundo.
Mídias Sociais ainda podem ser subdivididas em comunicativas, colaborativas, multimídia e de entretenimento. Vamos aos exemplos:
Comunicativas:
Blogs: É um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos ou "posts". Muitos blogs fornecem comentários ou notícias sobre um assunto em particular; outros funcionam mais como diários online. Um blog típico combina textos, imagens e links para outros blogs, páginas da web e mídias relacionadas a seu tema.
Orkut: Uma rede social criada para ajudar os usuários a encontrar novos amigos e manter as amizades já existentes.
Colaborativas:
Wikipédia: Enciclopédia multilíngue livre onde é escrita intencionalmente por várias pessoas comuns de diversas partes do mundo. Por ser livre, entende-se que qualquer artigo pode ser transcrito, modificado e ampliado, desde que preservados os direitos de cópia e modificações.
Multimídia:
Dentro da categoria de multimídias poder ainda ser divididas em categorias de compartilhamento de vídeos, livecasting (transmissões ao vivo) e compartilhamentos de músicas ou fotos.
Entretenimento:
Podem ser de Mundos Virtuais como por exemplo o Second Life (é um ambiente virtual que simula a vida real e social do ser humano).
Dentro do seguimento de entretenimento podemos também citar os Jogos Online (são jogos eletrônicos jogados pela internet. Neles, um jogador com um computador ou video game conectado à rede pode jogar com outros sem que ambos precisem estar no mesmo ambiente, sem sair de casa, o jogador pode desafiar adversários que estejam em outros lugares do país, ou até do mundo).
O fato é que o surgimento da internet foi um divisor de águas para a humanidade e através dela, o mundo foi interligado. Surgiu um universo de facilidades para as pesquisas, contatos, acesso às informações e agilidade de comunicação. A novidade extrapolou os meios empresariais e acadêmicos invade cada vez mais os lares.
Temos hoje em nossas mãos um "dilúvio de informação", conforme caracteriza o intelectual Umberto Eco. Ele ainda menciona que o volume de informação disponível na Internet é certamente um de seus pontos fortes, mas é também um dos graves pontos fracos. Isso porque variedade e volume não são garantias de qualidade.

O Homem do Carro Amarelo





(Matéria realizada para o jornal eletrônico Momento Online, desenvolvido pelos alunos de jornalismo Fiam/Faam)

Um personagem da cidade de São Paulo

Há mais de 20 anos João Antonio Lara, mais conhecido como “o homem do carro amarelo”  veste um de seus ternos, criados por sua esposa Celia Lara, passa a mão no cachorro de pelúcia e estaciona seu Farus amarelo ou seu Tigra vermelho em algum cruzamento ou semáforo da cidade. Tomando sempre o cuidado de escolher um local bem movimentado. Ele diz que o que mais gosta em São Paulo é o trânsito que obriga as pessoas a pararem e, assim, notarem sua presença. João conta que odeia o período de férias, quando o número de carros na rua diminui sensivelmente. Impressionante como esse personagem curioso continua encantando tanta gente com sua imagem extravagante e única. João é o que se pode considerar, no mínimo, um personagem exótico de São Paulo. Fora todo o exibicionismo, ele não esconde o sonho de um dia participar de uma minissérie americana e viver em Hollywood. João, “o homem do carro amarelo”, já foi motivo de post em blogs, comerciais de televisão e sua foto já foi publicada em vários fotologs e flickrs.

O mais engraçado é que ele tem 4 comunidades no Orkut e sua filha, Tatiana Lara, participa de todas, comentando e defendendo a mania do pai. Segundo ela, João tem o hábito de se integrar com a paisagem paulistana e nada mais é do que uma figura que combina perfeitamente com a imagem caótica de São Paulo.

KANTUTA


 (Matéria desenvolvida para o jornal eletrônico Momento Online, desenvolvido pelos alunos de jornaçismo Fiam/Faam)

Um pedaço da Bolívia em São Paulo

 Imaginem, uma barraca atrás da outra, malhas de lã de lhama, potes de barro, pessoas de olhos levemente puxados, pele morena, cabelos escuros e que se comunicam em espanhol. Isso tudo e muito mais pode ser encontrado a poucos metros do metrô Armênia, no bairro do Pari. A impressão de andar por lá é a mesma de caminhar pelas ruas movimentadas de Cochabamba ou pelas feiras da capital La Paz. Em São Paulo, a Bolívia fica na praça Kantuta, e se repete todo domingo, das 11 às 19h.

É preciso deixar que a curiosidade do viajante supere o preconceito. Isso pode ser comprovado quando se passa pela experiência gastronômica de experimentar por exemplo o anticucho (coração de boi no espeto) acompanhado de batatas e molho de amendoin. Bem menos exóticas são as salteñas (uma espécie de empanada, parecida com as argentinas e chilenas, mas com molho líquido). Elas são assadas a todo instante e a procura é grande. O cheiro de caldeirão fumegante no ar pode ser de sopa que é a entrada obrigatória de qualquer prato boliviano. Também é tradição experimentar o api (suco de milho roxo quente). Ele é muito consumido no "café da tarde" nas montanhas andinas, onde se vive sob temperaturas baixas. É tão gostoso que vai bem até em dias de calor. O acompanhamento ideal do api é o buñuelo, uma massa caseira frita (como a do pastel brasileiro, mas sem recheio).
 


Há muitas variações da típica flauta de pã boliviana, tocada por grupos folclóricos. Vários deles (alguns até com 300 bailarinos acompanhando) se apresentam na Kantuta nas datas importantes da Bolívia, como a "Festa das Alacitas", em 24 de janeiro, e o Carnaval (na mesma época em que o brasileiro). Algumas datas daqui são motivo de comemoração também, como o dia das mães e o das crianças, por exemplo.

Não dá pra ir embora sem dar uma passada nas barracas que mais aglomeram visitantes: as que exibem programas de tv bolivianos e também vendem CDs, DVDs e publicações. Inusitado também é o serviço de cabeleireiro (pelucaria) prestado em uma tenda pequena e sempre cheia. Ninguém parece se incomodar em ter seu cabelo cortado no meio da rua. Fazem até filas para isso. 
 


Cerca de 90% das pessoas que freqüentam a feira são bolivianas ou descendentes. Segundo estimativa da Pastoral do Migrante Latino-Americano, 200 mil bolivianos vivem na capital paulista e é na Kantuta que buscam sua identidade. Além disso deve-se ressaltar que além de um resgate á cultura ela serve também de espaço para desenvolver iniciativas sociais, como a Associação Brasil–Bolívia, que defende o interesse dos artesãos, artistas, migrantes e recém-chegados a encontrar trabalho e informação.

Depeche Mode - Sounds of The Universe

(Resenha publicada para o jornal eletrônico Momento Online, desenvolvido pelos alunos de jornalismo da Fiam/Faam)


Décimo segundo álbum da banda trintona tem altos e baixos

O Depeche Mode é uma daquelas bandas que muita gente realmente cresceu ouvindo. Não é à toa que qualquer turnê que ela faça provoque intensa disputa por ingressos.
Quando anunciaram um novo álbum, seus fãs ficaram alucinados imaginando que a banda britânica faria um retorno às origens de forma triunfal. Esse tipo de pensamento é totalmente justificável, pois diversas bandas da atualidade, altamente influenciadas pelo Depeche Mode estão lançando discos inspirados no início dos anos 80.
Deve-se reconhecer que o grande diferencial de um artista é justamente saber se atualizar, fazendo trabalhos originais sem perder a sua essência e o Depeche, certamente é a banda que melhor consegue fazer isso atualmente.
É fácil observar porque, quase 30 anos após, eles permanecem tão influentes. Diferentemente de diversas bandas que surgiram nos anos 80 e algumas ainda em atividade até hoje.
Ao invés de requentar estilos e sonoridades antigas para agradar aos saudosistas, a banda se transforma e apresenta canções novas e originais, sem qualquer vestígio de nostalgia.

Uma vítima na Pedroso




(Texto publicado em 16 de junho de 2009 no blog "Pauta que Pariu!" dos alunos de pós graduação do curso de Revistas Segmentadas )

Cidade de São Paulo no elegante bairro de Alto de Pinheiros, avenida Pedroso de Moraes. Exatamente no meio do canteiro central, é onde reside. Não tem como não notá-lo. Trata-se de um homem vestido com roupas encardidas, calças rasgadas, uma de coroa de plástico na cabeça. Ele simplesmente está sentado num latão de óleo no meio do canteiro central e parece já pertencer à paisagem. O que intriga, é que ele cultiva um hábito nada comum aos de outros moradores de rua. Ao invés de pedir esmola no farol mais próximo, Raimundo Arruda Sobrinho passa o dia todo escrevendo. Embora afirme que seus escritos são como diários, pensamentos que não interessam a ninguém, ele monta livretos desenvolve as próprias capas, encaderna com linha e agulha e distribui cópias feitas a mão para as pessoas que se interessam por sua vida e textos. As tiragens geralmente são de 45 exemplares e todos são assinados com um pseudônimo: O Condicionado.

Poucos imaginam que Raimundo conhece a obra de escritores como Machado de Assis, Luis de Camões, Castro Alves, Mário de Andrade e os irmãso Augusto e Haroldo de Campos. Admira o ensaísta Paulo Prado, de quem leu e releu "Retratos do Brasil". Em seus escritos cita o psiquiatra espanhol Emilio Mira y Lopes, autor de “Os Fundamentos da Psicanálise” e tem perfeita lucidez sobre sua condição de marginalizado. "Vivem perguntando se sou um escritor. Ora, como alguém em sã consciência pode achar que um escritor estaria na situação em que me encontro?"afirma. Assim como não gosta de ser confundido com um escritor, também detesta ser chamado de mendigo. “Sou uma vítima das oligarquias econômicas”declara. Do pouco que revela da sua vida, diz que era assíduo leitor do Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo, na década de 60. "Naquela época havia intelectuais de verdade, que sabiam polemizar, sabiam escrever um texto. Não estou falando de escritores que lêem os outros, roubam argumentos e escrevem seus livros. Esses não valem nada. Infelizmente, são a maioria"filosofa.

Goiano, nascido na zona rural em 1938, Raimundo veio para São Paulo aos 23 anos de idade. Foi vendedor de livros, teve uma boa biblioteca e uma coleção de fotografias. Em 1976 sofreu um surto e acabou internado num hospital psiquiátrico. Quando saiu, foi morar na rua. Apesar da antiga paixão pela leitura, há mais de duas décadas não lê absolutamente nada, desde que se "desligou do mundo". Para ele, não existiram o videogame bélico da Guerra do Golfo, o desmantelamento do império soviético, o impecheament de Fernando Collor de Mello, a evolução tecnológica da informática e nem a comemoração dos 500 anos de Brasil. "Não sei quem é o prefeito, quem é o governador ou o presidente da República; não leio jornais, nem vejo televisão. As notícias do mundo simplesmente não me interessam", afirma de forma taxativa.

Mesmo isolado, sem amigos, família ou parentes, ele não demonstra nenhuma inclinação a ser carente, fraco ou oprimido Aqueles que o tratam como um desprotegido ou doente mental, recebem palavras duras. "A minha selvageria é equivalente à falta de cultura das pessoas. Só porque estou na rua, exposto a tudo, se acham no direito de me aborrecem com conversas vazias. Será que não percebem que estou trabalhando e cuidando da minha vida? "exclama. Apesar da agressividade, revela-se um homem educado e dono de uma ótima memória. Um dos poucos assuntos capazes de animá-lo para uma conversa mais duradoura é literatura. Quando envereda pela arte poética, uma de suas grandes paixões, pelo menos no tempo em que ainda estava "ligado" no mundo, os comentários são desconcertantes. "Depois dos Campos, aqueles dois irmãos que criaram a poesia concreta, não aconteceu nada de extraordinário na poesia brasileira”, declara.

Como um enigma, uma acusação explícita às injustiças sociais, ele simplesmente permanece ali, no meio do canteiro central de um bairro rico de uma metrópole que se autointitula internacional. "Muitos fingem desconhecer a realidade em que vivemos e me perguntam por que estou morando aqui. Não tenho mais paciência para explicar o que elas se recusam a ver”. Aos que insistem, Raimundo responde categórico: "Há uma famosa lei da física que diz que um corpo tem que ocupar um lugar no espaço",filosofa.

24 de Maio: O grande templo do eterno rock


(Texto publicado em 3 de agosto de 2009 no blog "Pauta que Pariu!" dos alunos de pós graduação do curso de Revistas Segmentadas )

Localizada no centro de São Paulo o famoso prédio na Rua 24 de Maio, inaugurada em 1963, oficialmente chamado Centro Comercial Grandes Galerias, foi inspirado na escola de Oscar Niemeyer e projetado por Alfredo Mathias. A “Galeria do Rock” atrai cerca de 10 mil pessoas por dia, segundo as contas da administração. No final dos anos 70 cedeu lugar a primeira loja de discos de Rock, a Baratos Afins, que se mantém funcionando até hoje, com um enorme e raro acervo de discos de vinil e cds. Nos anos 80 a Galeria foi palco de muitas brigas e serviu de ponto de encontro de gangues e tribos urbanas rivais. Conflitos foram inevitáveis. Desde então, os lojistas entraram em acordo e trataram de contratar seguranças para que o público voltasse a circular tranqüilamente por seus corredores. Reduto de diferentes tribos urbanas, a galeria reúne várias lojas de roupas e artigos para roqueiros, skatistas, quem gosta de hip hop, emos e góticos, entre outros. Abriga ainda itens que vão desde cds, vinis, dvds, camisetas, acessórios, bandeiras, pôsteres, tênis, botas de salto no estilo sado-maso, coturnos e bolsas a itens de decoração os mais variados possíveis: abajur do Iron Maiden, imã de geladeira do Kiss, espelho do Alice Cooper, caneca do The Who, lojas de calçados, discos, salões de cabeleireiros e estúdios de tatuagem e piercing... um verdadeiro mix. No início dos anos 90, com uma melhoria da infra-estrutura, mais estabelecimentos voltados para venda de discos e CDs se instalaram no local atraindo jovens que buscavam raridades e importados impossíveis de se achar em lojas comuns, principalmente com a explosão do Grunge e de bandas de sucesso como o Guns’n’Roses, Metallica e Nirvana. O gênero estava em seu auge e a Galeria se tornou o ponto de encontro de um público sedento por produtos e novidades ligados a ele. No final da década de 90, das 450 lojas existentes, aproximadamente 200 eram de produtos ligados a música, tornando a Galeria do Rock a maior concentração de estabelecimentos dedicados ao rock, passando a pertencer inclusive no Guiness Book, o livro dos recordes. Personalidades como Bruce Dickinson (vocalista do Iron Maiden) e Kurt Cobain (ex-vocalista do Nirvana) e bandas como Dream Theater, Paradise Lost e Sepultura já deram seu ar da graça para tardes de autógrafos ou apenas para dar uma volta pelos corredores. Curiosamente, pouca gente comenta que, nos últimos anos, devido à popularidade da música digital, pirataria e internet, o perfil do local está mudando, muitas lojas de cds continuam lá, mesmo com a crise no setor, mas aos poucos estão se mesclando , surgindo assim outros estabelecimentos de estilos diferentes, mas tão alternativos quanto os já existentes, como lojas de streetwear, tênis, toy art e bolsas moderninhas.

Serviço: Galeria do Rock Horário: de segunda a sexta, das 9h as 20hs; sábado, das 9h as 17h Rua 24 de Maio, 62 (entrada também pela Av. São João, 439)
Entrada Franca